Varejo paulista termina 2020 com alta de 3% no seu faturamento



Os desempenhos positivos das lojas de materiais para construção e dos supermercados, além do benefício do auxílio emergencial, pago pelo governo federal entre abril e dezembro, foram determinantes para que o varejo paulista terminasse o ano de 2020 com alta de 3% no seu faturamento em comparação com o ano anterior, como mostra agora a Pesquisa Conjuntural do Comércio Varejista (PCCV), da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP).


Ao final de 2020, o setor de construção registrou crescimento de 18,7% no seu faturamento, fechando o ano em R$ 67,6 bilhões, enquanto os supermercados tiveram aumento de 13,8%; faturando R$ 297,6 bilhões no período. Os números se explicam, de acordo com a FecomercioSP, pela demanda das famílias em meio à quarentena – seja para promover pequenas reformas para adequar as residências ao confinamento ou porque, diante das restrições impostas pelas autoridades, precisaram cozinhar mais em casa.

No total, o varejo paulista teve uma receita de R$ 814,7 bilhões em 2020 – o que significa um ganho de R$ 23,3 bilhões em relação a 2019. Nos cálculos da Entidade, no entanto, o varejo do Estado de São Paulo teria queda de 1,1% no seu faturamento em um cenário sem o auxílio emergencial. O benefício, inicialmente de R$ 600 e depois de R$ 300, injetou R$ 32,4 bilhões na economia paulista entre abril e dezembro – ou seja, um montante que representa 4% de tudo o que o varejo faturou no ano. O desempenho do varejo paulista em 2020, porém, foi marcado por resultados assimétricos, porque se por um lado as vendas das lojas de construção e dos supermercados cresceram, por outro, setores como o de vestuário, tecidos e calçados e as concessionárias de veículos registraram quedas expressivas: o primeiro perdeu um quinto do seu tamanho (-20,3) no ano passado – uma diferença de quase 40 pontos porcentuais em relação ao setor que mais faturou, enquanto o segundo encolheu 17,7%.

Depois de lojistas de construção e supermercados, os setores do varejo que mais cresceram foram farmácias e perfumarias (8,8%) e lojas de móveis e decoração (6,2%). Dezembro puxa faturamento para cima Um dos principais impactos sobre o desempenho do varejo paulista em 2020 foi o recorde alcançado em dezembro, quando o setor registrou o maior faturamento para o mês desde o início da série histórica da FecomercioSP, em 2008. O montante de R$ 87,3 bilhões representou um crescimento de 8,2% em comparação a dezembro de 2019.

O resultado também foi puxado pelas mesmas variáveis: as vendas dos lojistas de construção civil cresceram 39% no mês, enquanto as dos supermercados subiram 13,3%. No entanto, uma outra atividade chamou atenção no desempenho de dezembro: a de autopeças e acessórios para carros, que teve um faturamento de R$ 1,73 bilhão -- alta de 20,2% em relação ao mesmo mês de 2019. Esse comportamento atípico da demanda nesta época do ano se explica, segundo a FecomercioSP, pelas alterações no perfil de consumo promovidas pelas medidas de restrição por causa da pandemia. Assim, ao invés de irem às compras de peças de vestuário, eletroeletrônicos e eletrodomésticos ou mesmo de cosméticos, como é usual, as famílias privilegiaram reparar ou reformar suas casas e aproveitar o dinheiro para consertar os veículos atuais (o que explica também a queda nas vendas de carros novos).

Ao injetar R$ 3,6 bilhões na economia paulista em dezembro, o governo federal, por meio do auxílio emergencial, impediu que o varejo tivesse um crescimento menor no mês, em torno de 3,7%. Considerando as incertezas do cenário econômico em 2021, a FecomercioSP estima que o varejo no Estado de São Paulo termine o ano com crescimento de 1%, desde que o governo federal também dê sinais de comprometimento com a agenda fiscal, avance nas reformas – como a Administrativa, mais urgente – e apresente o projeto de privatizações.


Fonte: http://investimentosenoticias.com.br/noticias/economia/varejo-paulista-termina-2020-com-alta-de-3-no-seu-faturamento