Pequenas intervenções em casa garantiram as vendas de materiais de construção na pandemia

A ideia era só lixar e pintar as paredes do sobrado que eram constantemente atingidas pela umidade. Mas uma coisa leva a outra. A pintura se estendeu para as paredes das escadas. Chegando no andar de cima, o piso antigo deu lugar a uma camada de tinta própria para o chão. No meio do caminho, alguns móveis mudaram de cômodo e ganharam alguns retoques. E não bastasse, tudo terminou em um reparo na caixa d’água.


Foi nessa escalada de pequenos ajustes que a advogada Juliana Braga Medeiros e o personal trainer Bryam Silva se envolveram durante a pandemia da Covid-19. E assim como eles, outras tantas pessoas se dedicaram a uma geral na própria casa e, de quebra, mantiveram o setor de materiais de construção minimamente aquecido no período de recessão da economia.


A ideia era só lixar e pintar as paredes do sobrado que eram constantemente atingidas pela umidade. Mas uma coisa leva a outra. A pintura se estendeu para as paredes das escadas. Chegando no andar de cima, o piso antigo deu lugar a uma camada de tinta própria para o chão. No meio do caminho, alguns móveis mudaram de cômodo e ganharam alguns retoques. E não bastasse, tudo terminou em um reparo na caixa d’água.


Foi nessa escalada de pequenos ajustes que a advogada Juliana Braga Medeiros e o personal trainer Bryam Silva se envolveram durante a pandemia da Covid-19. E assim como eles, outras tantas pessoas se dedicaram a uma geral na própria casa e, de quebra, mantiveram o setor de materiais de construção minimamente aquecido no período de recessão da economia.


Com o distanciamento social, especialmente nos momentos iniciais da pandemia no Brasil, em março e abril, as pessoas precisaram ficar mais tempo em casa. Algumas adotaram o home office e outras tiveram o trabalho interrompido. Seja como for, mais tempo em casa significou olhar com mais calma e cuidado para o próprio lugar de moradia. E, claro, verificar o que precisava de ajustes.


Essa soma de fatores foi fundamental para que Juliana e Bryam começassem a própria reforma. Não tinham mais desculpas para adiar. “Sem dúvida esse tempo extra em casa impulsionou esses reparos. Eram coisas que precisávamos fazer e o momento nos motivou, tanto pela necessidade de economizar, quanto pela disponibilidade de tempo. Essas atividades ainda proporcionaram momentos divertidos entre nós e preencheram aquele tédio que a nova rotina trouxe”, lembra Juliana.


A mesma sensação teve a autônoma Natalia de Sá Dantas Meurer. Com mais tempo em casa, o olhar ficou aguçado e a vontade de melhorar a aparência das paredes se transformou em ação. “Com o tempo em casa por causa da pandemia, vi que realmente a minha casa estava precisando de uma pintura em todos os cômodos”, diz.


Ela não perdeu tempo e começou a pesquisar na internet o que precisaria comprar e como faria a pintura. E nada melhor do que os vídeos do YouTube para ensinar. Com todo o material em mãos, praticamente nenhum cômodo escapou da tinta nova. “Comecei pintando o meu quarto, depois pintei e coloquei papel de parede no quarto da minha filha. Depois vi que a área de lavanderia precisava de pintura também e resolvi pintar. E no fim verifiquei que a frente da minha casa também precisava e pintei também”, conta Natalia, que teve a todo tempo a companhia e os olhos atentos da filha Sophia, de dois anos.


Fazer as pequenas reformas no período da pandemia reforça a cada vez mais presente cultura maker, que teve sua origem nos idos de 1950, com a ideia de que é possível fazer as coisas por si só. O do it yourself (DIY), ou “faça você mesmo” se espalhou pela internet, por blogs e canais no YouTube. Por isso hoje é mais fácil transformar em realidade, com as próprias mãos, as pequenas intervenções na casa. A garantia de sucesso na empreitada pode não ser de 100%, mas a possibilidade de funcionar é grande.


Assim como para a Natalia, a internet foi o ponto de partida para Juliana e Bryam, que ainda contaram com as dicas dos vendedores das lojas de material de construção. Informações de lá e de cá foram fundamentais para que ele descobrisse que uma simples peça de R$ 25 resolveria um problema que ele achava que custaria mais de R$ 1 mil para ser solucionado.


Mesmo com uma caixa d’água de 750 litros, o casal ficava sem água durante o período de racionamento da Sanepar. Ao invés de falta de pressão, a resposta estava em uma peça chamada retentor. “No fim, pesquisando, descobrimos que o problema era a falta desse retentor. Sem ele, a água voltava direto para a rua. E nós sofrendo por sete anos por algo tão simples de resolver”, diz Bryam.


Setor na contramão


As pequenas reformas foram o principal motivo para que o setor de materiais de construção conseguisse atravessar a crise gerada pela pandemia do novo coronavírus de forma menos traumática do que outros segmentos da economia.


De acordo com o Índice Cielo do Varejo Ampliado (ICVA), o setor apresentou crescimento de 2,8% no acumulado de março até primeira semana de julho em relação ao mesmo período do ano passado — só não foi maior do que as vendas de supermercados e hipermercados. O resultado, porém, não foi positivo em todo o momento, chegando a apresentar queda de 59,7% no fim de março, somente voltando a se recuperar a partir de maio e crescendo de forma vigorosa em junho.


O fato de ser considerado um serviço essencial, assim como mercados e farmácias, foi decisivo para que as lojas de materiais de construção seguissem vendendo, independentemente de decretos estaduais e municipais sobre restrições de funcionamento.


O presidente da Associação dos Comerciantes de Material de Construção (Acomac) da Grande Curitiba, Emerson Stival, avalia que as vendas locais se mantiveram exatamente pelo fato de ser considerado um serviço essencial e pelas pequenas reformas. “Antes as pessoas ficavam na correria e não tinham tempo de parar em casa e olhar para a própria casa. Agora que estão em casa, começam a olhar e ver o precisam fazer, mesmo coisas pequenas, como uma parede que precisa de pintura ou um interruptor que precisa ser trocado. É isso que fez com que mantivéssemos o nosso trabalho.”


Mesmo assim, Stival alerta para uma possível retração na economia que pode refletir no setor. “Estamos nos mantendo agora, mas temos uma preocupação de futuro, por causa dos outros setores. Essas pessoas que agora estão fazendo pequenas reformas, estão comprando aos poucos, será que elas terão dinheiro mais na frente para continuar comprando?”, questiona.


Fonte: https://www.gazetadopovo.com.br/