Meios de pagamento, a revolução constante e silenciosa

Fonte: https://olivre.com.br/


O Brasil é um país com um sistema bancário bastante concentrado e com potencial ainda promissor de crescimento para meios de pagamento e para o sistema financeiro: atualmente, 175,4 milhões de brasileiros têm relacionamento com banco. Portanto, 36 milhões de pessoas ainda não têm conta em banco, o que equivale a 16,9% da população nacional, de 212 milhões segundo estimativas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Embora o avanço da oferta de serviços financeiros ainda seja vagaroso, os números de uso de cartões de crédito e débito ajudam a entender possibilidades de crescimento financeiro.

O uso de cartões de crédito ativos no país era de 123 milhões ao final de 2019, segundo as Estatísticas de Pagamentos de Varejo e de Cartões no Brasil de 2020, publicadas pelo Banco Central. O mesmo levantamento contou 132 milhões de cartões de débitos ativos no mesmo período. Respectivamente, são aumentos de 18% e 14% na quantidade desses meios de pagamento ante 2018.

A expansão do uso de cartões é apenas um aspecto de um fenômeno atual, possibilitado pelas tecnologias digitais no Brasil: o avanço impressionante de meios de pagamentos. As seguintes inovações podem significar não apenas mais praticidade para o consumo diário, mas a abertura de novos mercados, novas possibilidades de negócios e geração de demanda após vários choques econômicos no país.

Cartões pré-pagos

Essa modalidade de cartão tem como diferença para os cartões de crédito e débito a independência de uma conta bancária. É uma opção de popularidade crescente entre pequenos e médios comerciantes, que podem receber os valores de venda e sacá-los diretamente de um caixa eletrônico sem arcar com custos de outros serviços bancários.

O cartão pré-pago é oferecido a lojistas por algumas máquinas portáteis de cartão, que têm expandido seus serviços nos últimos anos. Porém, também há empresas especializadas de cartão pré-pago, como a AstroPay. Elas viabilizam comprar e carregar valores de maneira anônima e segura e, muitas vezes, o “cartão” existe apenas digitalmente.

Nesse sentido, o cartão pré-pago se assemelha a bilhetes de transporte público, mas que podem ser usados para propósitos tão variados quanto jogar bingo online, pagar o cabelereiro ou despesas em viagens.

Carteiras digitais

Assim como os cartões pré-pagos, as carteiras digitais podem ser “carregadas” com valores. No entanto, trazem mais funcionalidades do que pagamentos, o que as aproxima de contas bancárias tradicionais: investimentos financeiros, pagamentos de contas, operações interbancárias, pagamentos via QR code, entre outras.

A receptividade de muitas dessas carteiras ainda é muito variável. Os maiores nomes, como PayPal ou Neteller têm ganhado espaço entre clientes brasileiros e contam com a vantagem de ter consolidado operações em vários países.

Operando em escala ampla, essas empresas têm estrutura para realizar transferências cambiais ou simples pagamentos entre consumidor e comerciante numa escala que nenhum banco nacional é capaz – muitas vezes, de maneira mais rápida ou com taxas mais convidativas.

Assim, as carteiras podem ser empregadas como alternativas para efetuar transações internacionais sem a necessidade de aprovação de um cartão internacional, como é de praxe numa instituição bancária tradicional.

Portanto, as carteiras virtuais podem viabilizar compras em aplicativos estrangeiros, jogos nos melhores cassinos online do Brasil e até compras de produtos em lojas do outro lado do mundo.

Entretanto, por mais práticos e ágeis que possam ser esses meios de pagamento, é preciso atentar que eles também estão sujeitos à tributação financeira nacional.

Pix e digitalização bancária

Em 16 de novembro, o Banco Central passou a implementar integralmente seu sistema PIX. A novidade ganhou espaço nos meios de comunicação, devido ao perfil inovador do projeto e às boas e imediatas implicações práticas dele ao consumidor.

Esse sistema virtual de transações modifica a maneira pela qual as instituições financeiras fazem e recebem transações e pagamentos. O projeto usa a rede já existente (e segura) do sistema financeiro nacional para viabilizar operações quase em tempo real, a custo reduzido e de uso amplo.

Pequenas renovações acontecem periodicamente no sistema financeiro e internamente nos bancos, mas as mudanças objetivas do PIX são imediatamente palpáveis: torna possível transferir valores 24 horas por dia, 7 dias por semana; unifica formulários, boletos, guias de pagamento e outros documentos específicos num só tipo de transação; barateia o custo dos serviços financeiros de transferência.

Além disso, a possibilidade de cadastrar dados pessoais comuns como chaves de acesso pessoais afasta burocracia ou complicações de criar senhas e longos formulários pessoais junto aos bancos.

Próximo passo: “open banking”

O Banco Central propõe o PIX como uma das medidas dentro do plano maior de “abrir” o sistema financeiro. O modelo de bancarização aberta oferecerá aos cidadãos uma plataforma em que poderão compartilhar alguns de seus dados para ter acesso a serviços financeiros mais apropriados para seu perfil.

Esse compartilhamento permite que novas empresas tecnológicas entrem no mercado e criem novos produtos e serviços financeiros. A introdução desses novos agentes de mercado aumentaria a competitividade entre instituições e o bem-estar do consumidor – o que pode incluir ainda mais novidades para meios de pagamento.

A competição entre bancos gerada com os serviços prestados por alguns poucos bancos digitais deve se intensificar nos próximos anos. Assim, a possível vantagem competitiva poderá estar em incluir novos clientes no sistema financeiro, ampliar a comodidade e oferecer serviços melhores por preços mais baixos.


Por agência de marketing digital emarket