Deslocamento da demanda de serviços para bens ajuda na recuperação da indústria


O movimento de recuperação da produção industrial após o fundo do poço da crise causada pela covid-19 foi ajudado pelo deslocamento da demanda de serviços para bens, afirmou nesta terça-feira, 2, André Macedo, gerente da Coordenação de Indústria do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).


Com os contatos sociais restritos por causa da pandemia, muitos consumidores ficaram impedidos de gastar com serviços presenciais, mas, de casa, continuaram comprando desde produtos básicos, como alimentos, até duráveis, como móveis e eletrodomésticos.


Mais cedo, o IBGE informou que a produção industrial engatou o oitavo mês seguido de alta em dezembro, ao crescer 0,9% ante novembro ficou abaixo do 1,1% de novembro, enquanto de maio a julho as taxas de variação estavam próximas de 10%, numa desaceleração motiva, principalmente, pela depreciada base de comparação de abril.


Para além disso, Macedo citou fatores conjunturais que contribuem para a perda de fôlego. São eles a aceleração da inflação - com efeito negativo maior sobre a produção de alimentos -, a redução do valor do auxílio emergencial nos últimos meses de 2020 e o mercado de trabalho, que ainda está "longe de um movimento de recuperação".


A dificuldade de acesso a matérias-primas em alguns segmentos da indústria pode ser um problema adicional. "A ausência do auxílio (emergencial), na medida em que alcançou boa parcela da população, é algo que preocupa e vai definir muito dos rumos não só da indústria, como da economia (em 2021)", afirmou Macedo.


Fonte: https://economia.uol.com.br/noticias/estadao-conteudo/2021/02/02/deslocamento-da-demanda-de-servicos-para-bens-ajuda-na-recuperacao-da-industria.htm