CENÁRIO AFETA EXPECTATIVA POR DIAS MELHORES

Com os efeitos econômicos da pandemia de coronavírus superados, outros fatores, como inflação, altas taxas de juros, desemprego e perda de renda, vêm afetando a esperança por dias melhores e impactam a demanda por bens e serviços no varejo, incluindo o de material de construção.


Pesquisa recente realizada pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre) mostra que a atividade econômica deverá começar o ano de 2022 em ritmo lento. Embora a perspectiva não seja a mais otimista, outros estudos da entidade revelam confiança de consumidores e empresários em alta.


Nesse contexto, a FGV Ibre realizou a pesquisa Tracking, com exclusividade, para a Associação Nacional dos Comerciantes de Material de Construção (Anamaco). De acordo com o levantamento, em outubro, 20% dos entrevistados reportaram elevação nas vendas, o que representa um recuo sobre 25% apurados em setembro. Esse foi o terceiro mês seguido de queda nesse indicador. Em outubro de 2020, o percentual de respostas otimistas foi de 45%.


Na passagem entre setembro e outubro, as indicações de queda subiram novamente, passando de 32% para 33%. Em 2020 esse indicador havia sido de apenas 18%. Há um ano, as vendas no varejo estavam em recuperação e o setor de material de construção vivia um bom momento. O estudo revela um nível muito baixo de assinalações de alta no Sudeste (14%), região onde também se observou o patamar mais alto de indicações de queda (36%). Em todo o País, a assinalação predominante permanece sendo a de estabilidade, que variou entre 38% no Sul e 50% no Nordeste e Sudeste. O mais otimista foi o Sul, com 32% de respostas positivas sobre as vendas no mês.


De acordo com os dados apurados pela FGV Ibre, a parcela de revendedores otimistas com o futuro das vendas de material de construção oscilou fortemente em outubro. As indicações de alta para os próximos três meses caíram de 60% no mês anterior para 44% em outubro. Há um ano, esse indicador era de 40% das respostas. A comparação com outubro de 2020 sugere que as expectativas já estão influenciadas pela queda sazonal de vendas, esperada para janeiro e indicador de expectativas deve continuar em queda nas próximas edições do Termômetro Anamaco.


Quando a pesquisa analisa as principais categorias de produtos comercializadas, as mais otimistas com relação aos meses à frente foram as lojas especializadas em pintura e material elétrico, com 49% de assinalações. As mais pessimistas foram as lojas de material básico, com 23% de assinalações de queda.


O levantamento revela, ainda, que os indicadores relativos ao mês atual e aos próximos três meses recuaram em outubro. A percepção sobre o mês corrente caiu ainda mais abaixo do nível de neutralidade (100), chegando a 87 pontos contra 93 em setembro. Esse resultado, segundo a entidade, revela que a percepção de redução nas vendas correntes superou a de crescimento mais uma vez. Na comparação com outubro de 2020, esse indicador teve recuo expressivo: 40 pontos. Frente a julho, ponto mais alto dos meses recentes, a queda foi de 32 pontos.


Em paralelo, o indicador de expectativas registrou o maior recuo da série histórica na comparação com o mês anterior, passando de 151 para 128 pontos entre setembro e outubro. Ainda assim, o nível de outubro permanece no campo de otimismo elevado (acima de 120). Quando se refere à ação do governo nos próximos 12 meses, houve pequena redução nas respostas otimistas frente a setembro, que passaram de 51% para 49%. Já as respostas pessimistas foram de 18% para 21%. Em outubro de 2020, a parcela de respostas otimistas era maior: 55%, enquanto as pessimistas eram de 17%.


Fonte: http://www.revistaanamaco.com.br/cenario-afeta-expectativa-por-dias-melhores