Auxílio ainda ajuda o varejo, e 2021 vai mostrar o 'ritmo real' do setor, diz Ibre-FGV

Neste fim de ano, o varejo ainda deve contar com as promoções da Black Friday e das festas de fim de ano, afirma Rodolpho Tobler

O varejo teve uma desaceleração em setembro, como esperado, já que o mês marca a redução do auxílio emergencial. Mas o benefício deve continuar a ajudar o setor, que terá seu “momento da verdade” no início de 2021, afirma Rodolpho Tobler, economista do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre-FGV).


Depois de recuperar com sobras as perdas dos meses iniciais da pandemia, o varejo ficou mais próximo da normalidade em setembro, afirma. Ele aponta incerteza sobre o ritmo do crescimento do quarto trimestre, mas avalia que as variações mensais continuem próximas da taxa divulgada pelo IBGE hoje. Segundo o órgão, o varejo restrito cresceu 0,6% sobre agosto e o ampliado subiu 1,2%.


Neste fim de ano, o varejo ainda deve contar com as promoções da Black Friday e das festas de fim de ano.


“A virada para 2021 vai ser o momento chave para saber a real velocidade de recuperação”, diz, lembrando que o mercado de trabalho não reage na mesma velocidade da atividade e isso vai fazer diferença. “Está ficando mais urgente a busca do emprego, as pessoas devem ficar mais temerosas com a renda”, diz.



Por esse motivo e também por causa do temor provocado pelo vírus, Tobler não vê uma retomada consistente nos serviços às famílias, que não devem voltar aos níveis pré-pandemia tão cedo, afirma.

(Com conteúdo publicado originalmente no Valor PRO, o serviço de notícias em tempo real do Valor)